Tarifas americanas impactam no desempenho da indústria gaúcha em agosto
O Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS) apresentou queda de 1,9% em agosto, na comparação com julho, segundo dados divulgados pelo Sistema FIERGS. Essa foi a maior retração desde maio de 2024, mês marcado pela pior enchente da história do estado. A redução ocorreu no primeiro mês de vigência das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e refletiu o desempenho negativo dos principais componentes do índice: o faturamento real caiu 4,7%, as compras industriais 2,3%, as horas trabalhadas 1,3% e a utilização da capacidade instalada passou de 79,7% para 79,1%.
Em relação a agosto de 2024, o IDI-RS teve uma retração de 4,3%. Apesar de indicadores ligados ao mercado de trabalho ainda mostrarem crescimento — como o emprego (1,5%) e a massa salarial real (3,6%) —, os componentes diretamente relacionados à atividade produtiva registraram forte queda. As compras industriais diminuíram 11,7%, o faturamento real 6,8%, as horas trabalhadas 4,8% e a capacidade instalada recuou 1,5 ponto percentual, demonstrando o impacto das adversidades externas e internas sobre o setor.
No acumulado do ano, o crescimento do IDI-RS desacelerou de 1,3% em julho para 0,5% em agosto, refletindo uma tendência de estagnação. Alguns setores ainda apresentaram avanço, como Máquinas e Equipamentos (12,5%), Equipamentos de Informática e Eletrônicos (20,7%), Tabaco (10,7%) e Químicos e Biocombustíveis (3,2%). No entanto, retrações em áreas de grande peso econômico, como Veículos Automotores (-8,4%) e Couros e Calçados (-6,2%), puxaram o desempenho geral para baixo, evidenciando o cenário desafiador enfrentado pela indústria gaúcha em 2025.
COMENTÁRIOS