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Novo Hamburgo,28/06/2026

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Após 16 anos, disputa por prêmio milionário da Mega-Sena mobiliza apostadores e ganha novo capítulo na Justiça de Soledade


Após 16 anos, disputa por prêmio milionário da Mega-Sena mobiliza apostadores e ganha novo capítulo na Justiça de Soledade

Caso que envolve prêmio superior a R$ 9 milhões volta a movimentar o Judiciário e inspira mobilização popular em defesa dos supostos ganhadores do bolão


SOLEDADE (RS) – Um dos processos mais emblemáticos e controversos da história das loterias brasileiras voltou a ganhar destaque nesta semana. A disputa judicial envolvendo um prêmio da Mega-Sena sorteado em outubro de 2010, em Soledade, no norte do Rio Grande do Sul, teve mais um capítulo com a realização de uma nova audiência e a apresentação de documentos que, segundo a defesa dos apostadores, podem ajudar a esclarecer o destino do bilhete premiado.


Passados quase 16 anos desde o sorteio, o caso continua sem uma decisão definitiva e ainda divide opiniões. De um lado, um grupo de apostadores sustenta que o prêmio milionário pertencia a um bolão organizado entre colegas. Do outro, há a versão de que o prêmio foi legitimamente recebido pelo apostador que apresentou o bilhete vencedor à Caixa Econômica Federal.


Tudo começou em outubro de 2010, quando uma aposta registrada na região acertou sozinha as seis dezenas da Mega-Sena e faturou mais de R$ 9 milhões, um dos maiores prêmios regulares da época. Poucos dias após o saque do dinheiro, surgiram denúncias de que o bilhete premiado teria sido fruto de um bolão formado por moradores da região, mas que os valores jamais teriam sido divididos entre os participantes.


A origem da disputa


Segundo os relatos apresentados pelos integrantes do grupo, 11 pessoas contribuíram com R$ 10 cada para formar um bolão. O valor arrecadado foi utilizado para registrar dezenas de apostas que teriam sido preenchidas coletivamente e posteriormente levadas até uma lotérica por um dos participantes, responsável pela formalização dos jogos.


A controvérsia surgiu quando o prêmio foi sacado por outra pessoa. Os participantes alegam que um dos responsáveis pelas apostas teria se apropriado do bilhete vencedor e articulado uma operação para ocultar a verdadeira origem do jogo premiado.


Ao longo dos anos, a investigação envolveu Polícia Civil, Ministério Público, perícias técnicas, interceptações telefônicas e diversos depoimentos.


Ministério Público apontou indícios de fraude


Durante a apuração, o Ministério Público concluiu que existiam contradições em algumas das versões apresentadas e apontou indícios de fraude relacionados ao caso. As investigações chegaram a levantar suspeitas de falsificação de bilhetes e combinação de depoimentos.


Mesmo assim, a disputa permaneceu aberta na Justiça devido à complexidade dos fatos e à existência de diferentes interpretações sobre os documentos e provas apresentados pelas partes.


Novas provas são apresentadas


Na audiência realizada nesta semana, a defesa dos apostadores apresentou novos elementos técnicos que, segundo os envolvidos, reforçam a tese de que o prêmio pertencia ao bolão.


Entre os documentos está um relatório da Caixa Econômica Federal referente aos registros eletrônicos dos terminais utilizados para efetuar as apostas. Conforme os defensores dos apostadores, os dados revelariam divergências entre os jogos efetivamente registrados e aqueles que teriam sido apresentados posteriormente como pertencentes a outro grupo de apostadores.


O investigador particular Juliano Straub, que acompanha o caso há anos, afirmou durante entrevista que a documentação obtida junto à Caixa teria ajudado a identificar inconsistências em depoimentos prestados ao longo do processo.


O papel de Décio Sabadim


Grande parte das discussões gira em torno do papel desempenhado por Décio Sabadim, apontado como o responsável por registrar as apostas do grupo.


A defesa dos apostadores sustenta que parte dos jogos do bolão teria sido misturada a apostas familiares, o que teria possibilitado a apropriação do bilhete vencedor. Já Sabadim nega irregularidades e afirma que todas as apostas foram feitas corretamente e dentro da legalidade.


Durante a audiência, testemunhas e documentos foram utilizados para discutir horários de apostas, sequência de volantes, registros eletrônicos e diferenças identificadas nos bilhetes apresentados ao longo da investigação.


O drama das famílias


Além da disputa jurídica, o caso carrega histórias de sofrimento e expectativa de famílias que aguardam uma resposta há mais de uma década.


Entre os depoimentos mais emocionantes apresentados durante a audiência esteve o de Nadir da Silva Pinheiro, viúva de um dos supostos integrantes do bolão.


Ela relatou que o marido sempre acreditou que o grupo havia conquistado o prêmio milionário e que a família enfrentou graves dificuldades financeiras ao longo dos anos. Segundo Nadir, um de seus filhos lutou contra uma doença grave, necessitou de tratamento médico prolongado e acabou falecendo sem que a família tivesse acesso aos recursos que acreditava serem de direito dos participantes do bolão.


O relato emocionou os presentes e evidenciou o impacto humano de uma disputa que ultrapassa os limites do campo jurídico.


Mobilização popular ganha força


A longa espera por uma definição judicial também começou a mobilizar a sociedade civil.


Para o dia 10 de julho de 2026, está sendo organizado o chamado "Fórum de Soledade", evento que pretende reunir apoiadores, familiares e integrantes do grupo de apostadores.


O material de divulgação do encontro destaca mensagens como "Os apostadores não estão sozinhos", "Durante 16 anos esperamos por respostas. Agora é hora de agir" e "Venha prestigiar a Justiça e a Verdade".


Segundo os organizadores, o objetivo é chamar a atenção da opinião pública para a busca por justiça e para a necessidade de uma solução definitiva para o caso, considerado um dos mais emblemáticos envolvendo a Mega-Sena em todo o país.


A mobilização demonstra que, mesmo após tantos anos, a disputa continua despertando forte interesse popular e mantendo viva a esperança daqueles que acreditam que o prêmio deveria ter sido dividido entre os integrantes do bolão.


Justiça aguarda novas perícias


Após a audiência, os advogados das partes afirmaram que o processo seguirá sua tramitação normal e que novas análises periciais deverão ser realizadas para esclarecer definitivamente a origem do bilhete premiado e a sequência dos fatos ocorridos em 2010.


Até que uma decisão final seja proferida, o caso continuará sendo acompanhado por familiares, apostadores e moradores da região, que aguardam o desfecho de uma disputa que já atravessa gerações.


Enquanto a Justiça busca esclarecer os fatos, o chamado "Bolão do Milhão" permanece como um dos episódios mais controversos da história das loterias brasileiras, marcado por acusações, investigações, perdas familiares e uma longa espera por respostas.


Por Redação Jornal RS

Soledade – Rio Grande do Sul




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