Brasil lidera ranking de supersalários no setor público com R$ 20 bi acima do teto constitucional
O levantamento internacional mostrou que o Brasil lidera o ranking mundial de supersalários no setor público, acumulando R$ 20 bilhões em pagamentos acima do teto constitucional entre agosto de 2024 e julho de 2025 — valor 21 vezes maior que o da Argentina. O estudo, conduzido por Sergio Guedes-Reis (UCSD) e divulgado pelo Movimento Pessoas à Frente e República.org, identificou 53,5 mil servidores — entre ativos e aposentados — recebendo acima do limite de R$ 46,3 mil, com destaque para magistrados, membros do Ministério Público e carreiras jurídicas da União. Cerca de 11 mil juízes brasileiros chegaram a ganhar mais de US$ 400 mil no período, superando os salários máximos pagos a magistrados em vários países analisados.
A comparação internacional mostrou que o Brasil tem uma disparidade muito maior que outras nações desenvolvidas, como EUA, Alemanha e Reino Unido. Enquanto os Estados Unidos têm pouco mais de 4 mil servidores acima do teto, nenhum outro país analisado ultrapassa 2 mil, e a Alemanha não registrou casos. No Brasil, cerca de 40 mil servidores integram o 1% mais rico do país, especialmente magistrados e membros do Ministério Público, reforçando o papel do Estado na concentração de renda. A discussão sobre limitar supersalários integra a reforma administrativa, mas enfrenta forte resistência em um cenário pré-eleitoral.
Instituições brasileiras justificam parte dos pagamentos extras como adicionais previstos em lei, que ficam fora do teto, enquanto órgãos como o CNJ afirmam exercer controle e fiscalizar irregularidades. O estudo aponta que outros países adotam mecanismos mais rígidos e transparentes, como comissões independentes e regras claras para adicionais, além de limites anuais para pagamentos excedentes. Essas práticas são citadas como possíveis referências para reduzir distorções no Brasil.
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