Mesa da CPI fica com quem não apoiou sua criação e gera questionamentos na Câmara de Vereadores
Mesa da CPI fica com quem não apoiou sua criação e gera questionamentos na Câmara de Vereadores.
A CPI foi instalada para investigar questões envolvendo a remuneração da secretária municipal da Fazenda. No entanto, a escolha dos integrantes do comando da comissão já levanta dúvidas sobre a imparcialidade dos trabalhos e a efetiva busca pela verdade dos fatos.
A primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar questões relacionadas à remuneração da secretária municipal da Fazenda trouxe uma composição que já provoca forte debate político em Novo Hamburgo.
O que chama a atenção é que os três cargos mais importantes da comissão, presidência, relatoria e secretaria ficaram justamente com vereadores que não assinaram o pedido de abertura da CPI. Ricardo Ritter – Ica (MDB) assumiu a presidência, Ito Luciano (Podemos) ficou com a relatoria e Giovani Caju (PP) foi escolhido secretário.
Enquanto isso, os vereadores que apoiaram a criação da CPI ficaram fora do comando dos trabalhos.
Dias atrás, o Jornal RS alertou que havia movimentações políticas nos bastidores que poderiam influenciar diretamente a formação da comissão. A definição anunciada nesta quarta-feira acaba reforçando os questionamentos levantados anteriormente e alimenta a desconfiança de parte da população sobre a independência da investigação.
Naturalmente, os vereadores escolhidos têm legitimidade para exercer suas funções e devem ser julgados pelos atos que praticarem durante a condução da CPI. Porém, é impossível ignorar a percepção pública criada pela composição da Mesa Diretora.
Uma CPI existe para fiscalizar, investigar e esclarecer fatos de interesse da sociedade. Para que isso aconteça, ela precisa transmitir confiança, independência e imparcialidade. Quando a sua estrutura inicial gera dúvidas antes mesmo do início das oitivas, a credibilidade dos trabalhos fica comprometida.
A pergunta que muitos cidadãos estão fazendo é simples: uma comissão comandada integralmente por vereadores que não apoiaram sua criação terá disposição para aprofundar as investigações e levar as apurações até as últimas consequências?
Essa dúvida não surge por acaso. Ela nasce da própria configuração política que foi apresentada à comunidade.
O cenário lembra práticas que há décadas são criticadas pelos brasileiros em relação à política nacional. A população está cansada de acordos de bastidores, de disputas por espaços de poder e de decisões que parecem priorizar interesses políticos em vez da transparência administrativa.
Mais importante do que os discursos será o resultado final dos trabalhos. Se a CPI conduzir uma investigação séria, técnica e transparente, poderá afastar as suspeitas que hoje recaem sobre sua composição. Caso contrário, o sentimento de descrença na política local tende a aumentar ainda mais.
Novo Hamburgo merece respostas claras, fiscalização efetiva e respeito ao dinheiro público. A Câmara de Vereadores tem agora a responsabilidade de demonstrar, com ações concretas, que a CPI foi criada para investigar fatos e não apenas para cumprir uma formalidade institucional.
A população acompanhará atentamente cada passo dessa comissão. Afinal, a credibilidade da CPI não será definida pelos cargos ocupados, mas pela coragem ou pela falta dela, em buscar a verdade.

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